
08/06/09
A Mulher Invisível

Uma coisa bastante interessante de se observar é o quanto o "peso" dos atores mudou ao longo da história. Não vou me estender muito sobre isso, mas, basicamente, nos primeiros anos do cinema os atores nem eram identificados, por dois motivos principais: vergonha de fazer filme (teatro era o grande tchan) e medo dos produtores de que a fama fizesse com que eles pedissem um cachê mais alto. Até que um dia um produtor xis que eu não lembro o nome falou que uma atriz conhecida como "The Biograph Girl" se chamava Florence Lawrence, plantou uns rumores sobre a vida dela, alimentou o interesse do público, que foi crescendo com a popularidade de revistas sobre artistas etc etc etc. A coisa foi indo até chegar no chamado "star system", segundo o qual os estúdios promoviam os filmes totalmente baseado nos atores, como Cary Grant e Bette Davis, por exemplo. Aí os atores começaram a se sentir meio explorados, rolaram uns processos, a coisa toda começou a degringolar e em determinado momento o star system perdeu força, de modo que as estrelas deixaram de estar tão vinculadas aos estúdios. Mas é claro que, ainda hoje, um pouquinho de star system existe, no sentido de que a presença de certos atores pode vender um filme. Quando o George Clooney foi dirigir Boa Noite e Boa Sorte, por exemplo, a Warner exigiu que ele também atuasse. Afinal, uma produção em preto e branco sobre jornalismo estrelada por um tal David Strathairn não levaria ninguém ao cinema. Se a cara e o nome do Clooney estivessem no pôster, talvez isso mudasse.
Esta longa introdução me parece importante para falar sobre A Mulher Invisível, um filme de Cláudio Torres sobre um homem que, largado pela esposa, se decepciona com a vida e diz que gostaria de "nunca mais ver uma mulher". Nessa hora ele ouve uma batida na porta, abre e se depara com a mulher ideal: bonita, legal, que gosta de futebol, limpa a casa, não é ciumenta, lá lá lá. O problema: ela não existe, é apenas fruto da imaginação dele.
A sinopse não é exatamente genial, mas resume uma história com potencial para ser divertida, na mesma linha de filmes como Sexta-feira Muito Louca ou, pra ficar em cinema nacional, Se Eu Fosse Você. Essas coisas de troca de corpo, mulher imaginária, esse tipo de situação impossível é sempre meio bobinha, mas pode render risadas (eu tenho sérias restrições à Se Eu Fosse Você e anything Daniel Filho, mas devo dizer que algumas cenas foram muito engraçadas). E, de fato, A Mulher Invisível tem seus momentos de humor, que consistem basicamente no protagonista dando beijos no ar, falando sozinho, esse tipo de coisa meio pastelão. O filme é basicamente isso: uma comédia romântica com humor pastelão.
O problema é que A Mulher Invisível não é estrelado pelo Tony Ramos e a Glória Pires, mas, sim, pelo Selton Mello, que em algum momento da sua carreira se tornou o ator brasileiro que todo mundo respeita. Nos últimos anos, vários atores se tornaram "necessários" em qualquer filme que quisesse ser respeitado, como Matheus Nachtergaele ou Lázaro Ramos. Mas o único que nunca sai de moda é o Selton Mello, com aquele jeitinho engraçado e, segundo a Veja Rio, o projeto de ser "o Clint Eastwood brasileiro": ator, diretor, produtor, homem multitalentoso. Nesse sentido, eu tenho certeza - certeza - de que escalar o Selton Mello para esse filme não foi uma decisão baseada apenas no talento dele. Mas é que com o Selton Mello, um ator respeitado, essa história pastelão ganha um arzinho superior. O Selton Mello não é um galã da Globo, ele é o jovem ator mais respeitado do Brasil, a cara do cinema nacional, o nosso futuro Clint Eastwood (pffffff). Falo por mim mesma: eu fui ver esse filme porque o que eu queria já tinha esgotado, mas fosse qualquer outro ator brasileiro o protagonista, talvez eu preferisse voltar para casa sem ver nada. Mas é que a gente olha o Selton Mello no pôster e pensa "ah, deve ter uma sacada, não deve ser tão babaquinha".
Só que sim, é um filme babaquinha. É um filme babaquíssimo, totalmente Globo Filmes, cujo elenco consiste em Luana Piovani (sem timing nenhum, o tipo de atriz que fala as frases como se estivesse lendo, sem um pingo de naturalidade e muito menos carisma), Vladimir Britcha (que se esforça, coitado, mas é limitadíssimo), Fernanda Torres (engraçada, mas naquele esquema de sempre), Paulo Betti (tem duas cenas, as duas são ruins) e participações especiais de Karina Bacchi (aquela com cara de boneca inflável) e Danni Carlos (atual participante de A Fazenda). Esse filme é uma babaquicezinha qualquer, que se fosse estrelada pelo Reynaldo Gianecchini (e poderia muito bem ser), ninguém levaria a sério. Mas como é o Selton Mello, opa, não deve ser tão banal.
E aí vem a questão que eu fiz a mim mesma durante todo o filme: o Selton Mello é bom mesmo? O Selton Mello é realmente um bom ator, ou apenas um ator divertido que faz aquela mesma atuação engraçadinha que deu certo há uns 13 anos em A Indomada? O Selton Mello é o tipo de ator que se repete com graça, como Cary Grant ou - para diminuir o nível e facilitar a coisa pro lado dele - Hugh Grant, ou é simplesmente um ator repetitivo? Afinal: o Selton Mello é um bom ator ou apenas uma grife que deu certo?
Porque, como eu disse, tenho uma boa impressão do cara, fui ver o filme porque ele não é o Giannecchini. Mas, juro, a atuação dele é tão ruim, ou talvez não exatamente ruim, mas tão constrangedora e incômoda, que me fez questionar o trabalho dele como um todo, não só nesse filme, não só nesse papel, não só agora. E DIGO MAIS: já tive o desprazer de assistir o trailer de um filme chamado Jean Charles, no qual o Selton Mello interpreta adivinhem quem, e fiquei assustada com o que vem por aí. Lembrando que o último filme que eu tinha visto desse cara fora Os Desafinados, eu já chego a ao menos uma conclusão: ele faz escolhas péssimas. Então, caro Selton, se você quer mesmo ser o Clint Eastwood brasileiro (eu não li a matéria, então tenho fé que essa chamada seja uma sacadinha de algum jornalista e não uma frase literal do entrevistado), comece melhorando - e muito - seus critérios.
25/05/09
Budapeste

Eu li este livro do Chico Buarque em 2004, porque era leitura obrigatória para o vestibular da faculdade que eu viria a cursar - e onde, curiosamente, Chico Buarque é cultuado por grande parte dos alunos de um jeito bem blá. Eu gosto do Chico Buarque, na verdade: ele é um nome importante para a cultura e a história do Brasil, é um bom compositor, tem músicas boas, é inteligente e discreto, em nada lembra o mala do Caetano ou o confuso do Gil. Mas também não acho o cara esse Deus intocável do qual alguns falam, e por isso nunca tive vergonha de dizer, até para o mais fã dos meus colegas, que achei Budapeste um puta saco. Bem escrito e tal, mas chato, tão chato que eu nem lembro direito. Tanto que, quando fui ao cinema ver a versão cinematográfica, hoje, só me lembrava de duas coisas: 1 - que eu não tinha gostado; 2 - que o final tinha alguma jogadinha metalínguística que eu não estava absolutamente certa de que tinha entendido.
Ao ver o filme, lembrei um pouco mais: lembrei que ao ler tive uma sensação de opressão, de estar em um lugar meio abafado, que é tipo uma das cinco sensações que mais me fazem mal. Isso porque o personagem principal da história, José Costa, um ghost writer que se divide entre Rio de Janeiro e Budapeste, é um dos maiores malas que eu me lembro de ter visto em livro/filme (no filme achei pior, aliás). O cara escreve livros para outros caras terem a glória, mas quando a mulher dele começa a pagar pau pro "autor de mentira", ele começa a se incomodar. Como a vida dele no Rio, com essa mulher totalmente tonta (interpretada pela Giovanna Antonelli, mais péssima que o normal) e um filho para o qual ele nem liga, é sufocante, ele volta para Budapeste, onde, certa vez, foi parar devido a um problema de voo. Lá ele conhece uma menina esperta, que lhe ensina húngaro e oferece uma vida mais animada, porém com outros problemas, afinal, o cara é o problemático-mor. Como resultado, lá vamos nós acompanhar as idas e vindas do cara, ele vagando pelas ruas do Rio, ele vagando pelas ruas de Budapeste, ele com cara de frustração no Rio, ele com cara de frustração em Budapeste, ele se achando melhor do que tudo aquilo no Rio, ele se achando melhor do que tudo aquilo em Budapeste, e por aí vai. Que prazer eu sinto em acompanhar tudo isso? Absolutamente nenhum. E DIGO MAIS: vocês poderiam argumentar que a intenção é essa, sufocar o espectador, fazer com que ele se sinta como o protagonista, mas mesmo se for esse o caso, o filme peca por pesar a mão. Fica parecendo que você não está no cinema para se divertir, e, sim, para pensar, pensar e pensar, sobretudo tentando desvendar as metáforas e metalinguagens que vê na tela. O problema é que para pensar sobre um filme eu preciso querer pensar sobre um filme. E, no caso de Budapeste, quanto mais mini-reviravoltinhas e maxi-sacadinhas apareciam, menos eu queria pensar sobre o que elas significavam.
Mas tudo bem, vai, ainda estamos no meio do filme, a fotografia é bonita, Budapeste parece ser uma cidade legal, vamos relevar porque quem sabe chega em algum lugar. E, de fato, chega em algum lugar: chega em um final totalmente tosco, que inclui 1 - uma cameo de Chico Buarque himself, pedindo autógrafo pro José Costa, num momento totalmente corta-clima que fez a sala inteira dar risada; 2 - uma cena patética em que o José Costa joga um prato na parede e grita, em húngaro, "eu não aguento mais comer espaguete a bolonhesa" (ele histérico é mais chato ainda); 3 - um pseudo-filme de terror no qual o cara é assombrado por um fantasma, que se veste igualzinho à Dona Morte da Turma da Mônica, mas na verdade é a representação da estátua de um autor anônimo em Budapeste (autor anônimo, ghost writer, sacaram? sacaram?) - e por pseudo-filme de terror leia-se umas cenas zuadas com trovão, música de medinho e efeito de luz. Eu fiquei esperando que, quando a Dona Morte tirasse o capuz, revelasse a cara do Chico Buarque, mas isso seria pedir bom humor a um filme desprovido de qualquer leveza, que faz questão de ser o mais intelectualóide, artístico e "importante" possível. Afinal, é uma adaptação do filme do Chico, e o Chico é Deus, certo? Pois é: Deus merecia um filme menos sacal.
17/05/09
O Equilibrista

Este vencedor do Oscar de Melhor Documentário deste ano conta a história de um french muito doido que resolveu pendurar um fio entre as falecidas Torres Gêmeas e ir de uma a outra fazendo equilibrismo. E DIGO MAIS: a história é verdadeira e o cara existiu mesmo - aliás, ele ainda existe, tanto que dá depoimentos no filme, junto com amigos e a namorada da época, que o ajudaram a realizar tal façanha.
É uma história realmente muito louca, porque eles entraram nas torres, subornaram um segurança, se esconderam até a noite atrás de uns troços e fizeram um puta esquema que eu até poderia tentar explicar, se não tivesse dormido durante dois terços desse filme que putz, desculpa, é muito chato.
Ok, a história é boa, o personagem é bom, a imagem do cara andando lá em cima é muito boa e ver as Torres Gêmeas, por si só, já me arrepia. Mas nada disso justifica 94 minutos, principalmente porque boa parte (bem, boa parte da parte que eu não dormi) é gasta em umas encenações toscas e em depoimentos de um tanto de gente mala, sobretudo a namorada do cara, que fala um francês histérico.
E ok, eu sei que um monte de gente que eu respeito gostou desse filme, e eu também sei que, tendo dormido pacas, eu não deveria dar opinião sobre ele. Mas, sendo esse o E DIGO MAIS, lá vai minha opinião:
Puta filme sonífero.
12/05/09
A Janela

Muitas vezes eu saio do cinema pensando que se escrever comentários sobre filmes fosse uma obrigação e não um prazer na minha vida, eu estaria em apuros. Porque ok, quase sempre eu tenho opinião sobre as produções e até que me esforço para fundamentá-las (a não ser que se trate de implicância, o que geralmente eu assumo). Mas existem alguns filmes sobre os quais eu não sei o que falar, que não são ruins nem bons, não me incomodam nem me provocam entusiasmo. Encher um determinado espaço de página sobre filmes assim deve ser difícil.
Com essa minireflexão eu já ganhei um parágrafo neste post, que é dedicado a um desses filmes nem-lá-nem-cá: o argentino A Janela, que conta a história de um escritor de 80 anos que está mal de saúde, sem poder ficar muito tempo fora da cama, e que espera pela visita do filho, um pianista famoso que mora na Europa e com quem ele não tem muita relação. E é meio que só isso mesmo: ele espera o filho, as empregadas da casa o ajudam, um cara vai na casa afinar o piano para que ele esteja pronto quando o filho chegar, e não vai muito além disso em termos de ação. Não estou dizendo que o filme é chato ou monótono, porque não é. Essa falta de ação - imagino - é proposital e se relaciona com a própria história, que é sobre o tempo e a velhice. O filme é uma grande espera, assim como a vida do velho escritor, e isso é bem bonito.
Na verdade, o filme todo é bonito: na história, na fotografia, nos longos silêncios, nas perguntas que o diretor não responde (por que pai e filho brigaram, por exemplo?). Mas é aquela beleza ok, nada que você fique totalmente espantado, nada que você não tenha visto antes, nada que renda muito comentário. Em outras palavras: esse filme é um pouco chocho, do tipo que não marca.
Porém, ele me fez perceber uma coisa: que eu prefiro mil vezes um filme argentino chocho que um brasileiro cheio de hype. Não é que eu esteja querendo defender os hermanos (embora faça isso com frequência), mas me parece que o cinema argentino está muito além do nosso. Os filmes deles podem até ser meio parados e ter esse jeitão meio morno, mas sempre parecem mais bem acabados e ter mais bom gosto, pois mesmo as produções argentinas sobre prisão ou pobreza (assuntos típicos da cinematografia brasileira atual), como Leonera ou Clube da Lua, não têm aquela coisa espalhafatosa que nós temos (salvo exceções). E DIGO MAIS: uma vez eu disse a um cineasta mexicano que todos os filmes do México que eu via eram fantásticos, e ele me disse que era porque eu só via um ou dois por ano. É provável que isso se aplique à Argentina, e lá também exista um tanto de filme lixão. Mas assim, à primeira vista, um a zero pra eles.
02/05/09
Procurando Nemo

Toda pessoa tem os chamados "fun facts": pequenas curiosidades sobre ela mesma que causam estranhamento nos outros. Eu tenho vários fun facts, e muitos deles são ligados a cinema. O principal: eu vi A Bela e a Fera 48 vezes - e só chorei na quadragésima quinta, o que já é outro fun fact. E DIGO MAIS: esse fato acaba tornando mais bizarro um outro fun fact sobre mim: eu nunca assisti Procurando Nemo, considerado por 8 entre 10 pessoas o melhor desenho animado dos últimos anos. Afinal, como é possível alguém assistir 48 vezes um desenho de 1992 e não ter nem um pinguinho de interesse pela so-called melhor animação dos últimos anos? Xis, não sei. Não é que eu não goste mais de desenho animado. Se está passando, eu até assisto. Mas ir ao cinema para ver animação...sei lá...não tenho essa vontade.
Porém, hoje eu fiquei com um fun fact a menos: assisti Procurando Nemo, que realmente é, se não o melhor desenho animado dos últimos tempos (eu não saberia dizer, porque não vi os outros), um filme divertidíssimo e muito bem sacado. A história, vocês já devem conhecer, é sobre um peixinho fofo que é superprotegido pelo pai, um peixe não muito maior que morre de medo do oceano. Um dia rola um stress e o peixinho é capturado por um homem e levado para um aquário. Aí o filme se divide entre a batalha do pai para vencer o medo do oceano e encontrar o filho e a batalha do filho para sair do aquário e encontrar o pai.
São váaaarias situações nos 100 minutos (boa duração) de filme, e todas muito divertidas. A minha parte favorita foi a que o pai encontra umas tartarugas na Austrália, que falam "duuuuude" e "awesome" hahahaha. Eu lembro que uma vez vi uma animação dessas recentes, chamada Chicken Little, e fiquei chocada com a quantidade de referências adultas, que uma criança não iria compreender. No caso de Procurando Nemo, acho que tem um pouco disso: uma criança talvez não saque totalmente a graça de, na Austrália, as tartarugas falarem e agirem como surfistas. Mas como a referência é sutil e está bem misturadinha aos elementos infantis (ao contrário de em Chicken Little), funciona bem: o filme fica legal tanto para as crianças quanto para os pais (e também para gente como eu, que é something in the middle). Portanto, todos os amigos que me achavam zuada por não ter visto Procurando Nemo podem ficar tranquilos: vi, gostei e o próximo é Ratatouille.
27/04/09
Eu Odeio o Dia dos Namorados
Vocês certamente se lembram do fênomeno Casamento Grego, um filme babaquinha, porém muito divertido, que virou sensação em 2002 e lançou um nome para o mundo: Nia Vardalos, a feia-mas-mega-charmosa protagonista, que também era responsável pelo roteiro. O que ela fez nesses últimos sete anos eu não sei (me lembro de um filme dela com a Toni Collete e só), mas agora ela está de volta como atriz, roterista e diretora de Eu Odeio o Dia dos Namorados, outra produção babaquinha e divertida (embora menos, já que faltam aquelas trapalhadas gregas que eram legais demais).Nesse filme ela interpreta Genevieve, uma mulher que jurou para si mesma que nunca um homem ia fazê-la sofrer. Para isso, criou um sistema: ela só sai com um mesmo cara cinco vezes, pois segundo ela esse é o número certo para se divertir e ter romance na vida, sem tristeza. Depois de cinco encontros, começam os problemas, as cobranças e a infelicidade.
Genevieve ia muito bem nesse sistema até encontrar Greg (o mesmo cara gato de Casamento Grego), um bonitão gente boa que topa a ideia dos cinco encontros porque está cansado de levar foras das namoradas e se dar mal no amor. A ideia deles é: zero expectativa, zero decepção. Mas claro que rola uma mega conexão, os cinco encontros começam a parecer poucos, e aí começa o problema a ser superado pelo casal, no estilo comédia romântica.
Eu Odeio o Dia dos Namorados não chega a ser um título memorável do gênero, mas tem três coisas bem legais: 1 - quem tem medo de compromisso, no caso, é a mulher, o que já representa uma inversão de papéis em relação a tipo 90% das comédias românticas; 2 - o casal tem uma química fantástica, algo fundamental e cada vez mais raro; 3 - a Nia Vardalos tem um carisma impressionante, e só vê-la falar é divertido, mesmo quando a piada é fraca. E DIGO MAIS: se tem originalidade, química e uma atriz carismática, já passou da média.
01/04/09
O Visitante
Richard Jenkins é a razão pela qual eu fui assistir esse filme escrito e dirigido por Thomas McCarthy, que estreou atrás das câmeas em O Agente da Estação, mas fez um monte de filmes como ator (Boa Noite e Boa Sorte, Syriana, A Conquista da Honra, entre outros). Talvez o fato de ele também ser um character actor tenha algo a ver com a escolha do Richard Jenkins para o papel principal. Ele, pra quem não está associando o nome à pessoa, é o intérprete do dono da academia em Queime Antes de Ler, entre outros papéis pequenos, porém marcantes. Eu tinha certeza que ele não decepcionaria ao ganhar um filme todo, e estava certa. A atuação do Jenkins em O Visitante é fantástica: sutil, discreta e muito comovente.Ele interpreta Walter, um professor universitário solitário, que um dia precisa viajar a Nova York para um congresso. Quando chega em seu antigo apartamento, ao qual não ia há anos, ele encontra um casal vivendo ali. Os dois - ele nascido na Síria, ela no Senegal - alugaram o apartamento sem saber que o dono ignorava a negociação, e Walter, ao invés de ficar bravo, convida-os para ficar no local. Assim começa uma bonita relação de amizade entre ele e, principalmente, o rapaz, que tem toda a energia e animação que o Walter perdeu em algum momento de sua vida. O problema é que o rapaz é preso e passa a correr o risco de ser deportado. Walter, então, decide ajudá-lo e começa a conhecer a difícil situação dos imigrantes nos Estados Unidos.
Não sei se o meu interesse pelo assunto imigração é maior que o da maioria das pessoas, mas acho que esse é um dos melhores temas para filmes, pelo menos no momento. Porque sabe quando você conhece um gringo, começa a conversar sobre como são as coisas no seu país e a ouvir como são as coisas no país dele? Não é muito legal? Não dá assunto para muito tempo de boa conversa? Em filme, acho que é mais ou menos assim. Tem tanta possibilidade de sair uma história boa a partir desse tema, porque é possível abordar desde as diferenças entre as culturas e o aprendizado que pode surgir de uma amizade improvável, até as discussões sobre a tolerância, a justiça e as relações entre as pessoas. E DIGO MAIS: O Visitante não tem a força de Gran Torino nem a sensação de urgência de Entre os Muros da Escola, mas é um pequeno grande filme que vale a pena ser visto.
29/03/09
Ele Não Está Tão a Fim de Você
Eu já citei aqui um artigo excelente do David Denby que li na New Yorker sobre a evolução da comédia romântica, cuja conclusão básica era que, na época de ouro do gênero, homens e mulheres eram iguais em inteligência e charme, enquanto hoje os filmes se resumem a mulheres neuróticas tentando fazer homens bobos e mulherengos crescerem. Acho que desde que li esse artigo nunca mais vi uma comédia romântica sem pensar em como ela se encaixava na tese do David Denby. E foi assim com esse Ele Não Está Tão a Fim de Você, que ao mesmo tempo é igual e diferente da maioria das comédias românticas atuais.Uma vez eu li um outro artigo, não lembro de quem e nem onde tinha sido publicado, sobre como as atrizes de Hollywood estavam perdendo espaço até nas comédias românticas, pois o gênero estava cada vez mais focado nos homens. Como são eles os que "precisam crescer", também acabam sendo os protagonistas. E DIGO MAIS: como quase sempre os protagonistas têm um grupo de amigos tão tontos como eles, já se criam mais uns quatro ou cinco personagens masculinos.
Ele Não Está Tão a Fim de Você, ao contrário, é um filme sobre as mulheres. Mesmo quando os homens estão em cena, dá pra sacar que são meros coadjuvantes na história, porque o objetivo é mostrar como elas encaram os relacionamentos. A história central é de Gigi (a ótima Ginnifer Goodwin, que eu não conhecia mas é muito graciosa), uma menina que sai com um monte de caras que nunca ligam para marcar o segundo encontro. Em todas as vezes, mesmo quando o encontro nem foi tão bom assim, ela não para de checar o celular em busca de mensagens do cara, tenta passar "casualmente" no bar onde ele costuma ir, e, com a ajuda das amigas, pensa em mil motivos pelos quais ele pode não ter feito o tal telefonema. Ela então conhece um cara, Alex, que diz a ela o que nenhuma mulher jamais teve coragem de dizer (provavelmente com medo de não ter as mesmas ilusões quando chegar a vez dela de sofrer): quando um cara não te liga, ele não perdeu seu número, não foi viajar, não foi atropelado, não está sem voz ou nada disso; ele simplesmente não está a fim de você.
A partir daí vamos assistindo várias situações que exploram as diferenças entre homens e mulheres. Há um número enorme de atores (Jennifer Aniston, Jennifer Connelly, Scarlett Johansson, Drew Barrymore, Ben Affleck, Bradley Cooper e outros), o que faz com que a estrutura básica da história seja diferente da maioria das comédias românticas: não acompanhamos apenas as idas e vindas de um casal, mas de um monte deles, todos com conexões entre si. No meio de tudo isso, há boas sacadas, porque algumas situações representadas são bem verdadeiras, por mais que as mulheres queiram pensar que são melhores do que essas personagens tontas que esperam o cara ligar e blá blá blá. Eu gostei particularmente de uma fala da Drew Barrymore, que diz sentir falta dos bons tempos em que as pessoas só tinham um telefone e uma secretária eletrônica, porque agora ela tem que checar o celular, o Blackberry, o MySpace, o Facebook e etc pra ser rejeitada de mil maneiras diferentes. Ok, não é exatamente a melhor piada do mundo, mas tem um quê atual que eu achei divertido.
Mas esse filme tem dois problemas principais: o primeiro é que os casais não tem a mínima química entre si, o que é fundamental em um comédia romântica, mesmo nessa que tem um elenco enorme. O Bradley Cooper e a Jennifer Connelly, por exemplo, não seriam um casal nem aqui nem na China, porque ele é muito jovem e surfistinha pra ela, e ela é muito madura e elegante pra ele. A Jennifer Aniston com o Ben Affleck então, sem comentários. Esse deve ser o casal mais sem faísca que já apareceu na tela, o que não deve ser culpa dela e sim dele, que é um bananão sem o menor charme. Eu acho que nunca tinha visto um filme do Ben Affleck porque quando ele começou a falar eu pensei: nossa, até a voz desse babaca é sem graça. Uma comédia romântica que se preze nunca poderia ter o Ben Affleck no elenco, ao menos para mim.
Mas o principal problema é que, por mais que o filme seja para mulheres e se distancie um pouco do padrão atual, os estereótipos de sempre estão ali: todas as mulheres estão esperando o cara certo, vivendo suas vidas em função dos homens, se sentindo incompletas sem eles, pressionando-os para assumir compromisso, fazendo-os mudar de ideia, ensinando-os alguma grande lição sobre o amor. Tanto é que, no final do filme (e não há problema em contar o fim porque - hello - é uma comédia romântica) o cara que sacaneia as mulheres se dá mal e os que apresentavam alguma resistência a elas, se rendem totalmente. No fim, as mulheres vencem, até as que ficaram sozinhas, porque elas, ao contrário dos homens, sempre vão ter esperança, nunca serão cínicas e nunca terão medo de se entregar ao amor. Tanto girl power, infelizmente, não faz desse um filme melhor.
26/03/09
Entre os Muros da Escola
Com filme francês, vocês sabem, eu sempre tenho pé atrás. Não vou me alongar muito no tema, que já foi discutido talvez mais de uma vez por aqui, mas fato é que eles me dão uma preguiça mega e quase sempre me enchem a paciência. No entanto, eu continuo assistindo os frenchs, porque de vez em quando encontro um ou outro filme que vale pelos ruins. Entre os Muros da Escola, o vencedor da Palma de Ouro de Cannes deste ano, é um deles.Quando eu li sobre o filme, durante o festival, não coloquei muita fé. Isso porque a história é sobre um professor de uma escola pública da França que tenta ensinar alguma coisa para uma classe problemática e formada por estudantes de todo tipo: brancos, negros, árabes, orientais etc. Esse tipo de história sempre parece que vai resultar nesses filmes melosos sobre professores que são rejeitados pelos alunos no começo, depois ganham a confiança deles, ensinam lições de vida, dão um propósito para a existência de todos, ajudam a escola a vencer alguma espécie de competição e ainda resolvem problemas paralelos do tipo fazer com que o pai de um aluno pare de bater nele. Em Hollywood filmes com essa sinopse constumam virar uma espécie de Nós Somos Campeões na escola - e aí o Emilio Estevez dá lugar para alguém mais respeitado, tipo o Denzel Washington.
Na França, ou ao menos no caso de Entre os Muros da Escola (não vamos nos empolgar com o cinema francês em geral, né?), o resultado foi bem diferente: o filme não é meloso, o professor não é nenhum santo, não há mensagem ou sentimento de superação, enfim, não é um filme bonitinho. Aliás, em vários momentos é um filme difícil de assistir, porque a sala de aula em questão é simplesmente infernal. E os problemas que causam esse inferno são tão complexos e as coisas estão tão erradas há tanto tempo, que fica cada vez mais difícil esperar por uma resolução para aquilo. E eu não entendo muito sobre a França, mas achei muito interessante o modo como aquela sala de aula funciona meio que como uma representação da variedade de etnias e populações que vivem juntas no país. A tensão que existe naquela sala provavelmente existe nas ruas, como mostram os jornais e outros filmes, como Caché ou Dias de Glória. E DIGO MAIS: a julgar por essas três ótimas produções, talvez o segredo para um filme francês ser bom seja falar sobre tensão social e imigração hahaha.
22/03/09
Gran Torino
Estou há dois dias pensando no que escrever sobre Gran Torino, novo filme do Clint que estreou sexta e que eu já vi duas vezes. Em ambas as ocasiões, fiquei meio overwhelmed (na falta de um verbo melhor) pela quantidade de questões que essa história simples e bonita enfiou na minha cabeça.A sinopse eu já contei aqui uma vez, mas vamos lá: The Clint interpreta Walt, um veterano da Guerra da Coreia (novas regras de ortografia - rá!) que é bastante distante dos filhos e cuja esposa acaba de falecer. Ele vive em um bairro tomado por pessoas de uma etnia chamada Hmong, que vêm de diferentes países. Os Hmongs lutaram com os EUA no Vietnã e, após a desistência americana, passaram a ser perseguidos pelos comunistas e fugiram. Uma grande parte deles foi parar em Detroit, ali ao lado da casa do Walt, que além de rabugento é também preconceituoso e nem pode ver os "chinas" pela frente.
O bairro também abriga algumas gangues Hmong e, depois de muita pressão, o menino bonzinho do local, Thao, sente-se obrigado a fazer parte de uma delas. Seu rito de iniciação é roubar o carro do vizinho Walt, um Gran Torino, o que obviamente dá errado porque - hello - The Clint is the man. Walt o pega com a boca na botija e fica puto, mas o episódio permite que esse homem solitário comece a conhecer melhor a cultura que está logo ali na casa ao lado. Dizer muito mais do que isso seria estragar a história, então passemos para as tais questões que estão na minha cabeça. E DIGO MAIS: perdoem a falta de conexão entre os diferentes pontos comentados, mas é que ainda não consegui organizar as minhas ideias (filme bom faz isso comigo).
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The Clint himself disse, em uma entrevista para a Folha, que Gran Torino é um filme sobre tolerância. De fato, essa é a questão mais importante da história, porque o Walt, antes preconceituoso e fechado a uma cultura diferente da sua, acaba se sentindo mais próximo daqueles tais Hmongs que de seus próprios filhos. Ele e Thao são muito diferentes, mas muito parecidos, e essa relação acaba ecoando bastante Cartas de Iwo Jima. Me lembro de uma cena em que os japoneses liam a carta da mãe de um soldado americano (ou do soldado para a mãe, não sei ao certo) e percebiam que aquele cara tinha mais ou menos as mesmas preocupações e medos que eles. Em Gran Torino acontece bem isso: o Walt precisa se aproximar de seu "inimigo" para aprender mais sobre si mesmo e sobre o mundo.
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Falando em ecos da filmografia do Clint em Gran Torino, é difícil não lembrar dos personagens mais old times dele ao vê-lo rosnando umas frases de efeito com a espingarda na mão (aliás, quando as primeiras notícias sobre Gran Torino saíram, muita gente achou que se tratava de um sexto Dirty Harry). Também é difícil não lembrar de Will Munny explicando que "it's a hell of a thing, killing a man", quando vemos o Walt falando de momentos terríveis que viveu da Coreia. E como em todos ou quase todos os filmes recente dele, fica claro que aquele personagem é totalmente marcado pelo que fez no passado. O que o Walt viveu na Coreia fez com que ele tivesse determinada atitude em relação aos filhos, ao Thao, ao conflito principal do filme, a tudo. Como diz a música tema de Gran Torino, "the world is nothing more than all the tiny things you've left behind" ou, em outro verso, "your story is nothing more than what you see, or what you've done, or will become" (e esse "will become" é importante porque, embora os personagens sejam marcados pelo passado, isso não significa que não sejam afetados pelo presente - aí está a beleza do negócio).
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O filme que Gran Torino mais me lembra, no entanto, é Menina de Ouro. Acho que a base das duas histórias é a mesma: um cara rabugento, solitário, cheio de culpa, que estabelece uma relação de pai e filho com alguém que no início ele rejeitava. Nos dois filmes também há a figura de um padre mais jovem, com quem o Clint briga/ignora, mas a quem recorre em um momento crucial. São duas figuras que me intrigam bastante. Em Menina de Ouro, o padre é um cara meio mala, mas que tenta ajudar o Frank no final, dizendo que se ele atender ao pedido da Maggie "vai se perder tão profundamente que nunca mais vai encontrar um caminho de volta". Da mesma forma, o padre de Gran Torino é um jovenzinho metido a saber das coisas, que também tenta impedir uma ação do Clint. Eu não tinha pensado nisso quando assisti Menina de Ouro, mas agora, com Gran Torino, acho que as duas histórias notam, ainda que rapidamente, os limites da religião. Não é uma questão principal, mas eu realmente acho que ela está lá. Porque os dois padres pedem que o Clint reze, espere, se afaste do problema e deixe a solução nas mãos de Deus. Mas ele não consegue, e não é porque ele seja ateu ou não tenha fé, mas porque as respostas que a Igreja lhe oferece parecem fáceis demais em um mundo que ele descobre ser cada vez mais complexo.
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Estou aqui falando sobre as semelhanças entre Gran Torino e outras produções do Clint não como forma de dizer que o filme mais recente não traz novidades ou é mais do mesmo. Não é. Mas uma das coisas que eu acho mais bonitas na filmografia do Clint - se não for a mais bonita - é o fato de os filmes dele, juntos, contarem uma história. De algum modo, talvez involuntariamente, as escolhas que ele faz, os temas pelos quais ele se interessa e a forma como ele conta cada história têm muita coerência. Gran Torino seria um ótimo filme de qualquer jeito, mas ele ganha muito mais força e significado quando pensado dentro da obra toda. Quando vi a cena em que as coisas se resolvem, comecei a chorar, não só porque a cena era muito forte, mas porque dentro da linha evolutiva da carreira do Clint, ela significava muita coisa. A figura do Clint justiceiro está ali, mas o modo que ele usa para chegar à justiça mudou.
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Outra cena que eu achei extremamente significativa foi uma logo no começo, na qual o Walt solta um rosnado de desaprovação ao ver os netos entrando na igreja para o funeral da avó com roupas desapropriadas, barriga de fora, piercing, camiseta de basquete, fazendo piadas, conversando, mexendo no celular. É uma cena normal, de conflito de gerações, que a princípio não teria nada demais. Mas calhou de eu estar em uma sessão de cinema que tinha tudo a ver com aquilo. Era tarde de sexta-feira e eu estava em um shopping tradicional e frequentado pela elite de São Paulo, que paga 21 reais para ir ao cinema (sendo que a sala é ruim e tem projetor barulhento, diga-se de passagem). Lá dentro, eu não sabia o que era pior: os adultos falando no celular e brincando com o iPhone ou o grupo de adolescentes histéricos que conversavam, davam gritinhos e risadinhas e, no fim da sessão, deixaram copos de refrigerante e sacos de pipocas espalhados pelo chão. Ao ver aquilo, eu, como o Walt, me perguntei: what is it with kids nowadays? O que está acontecendo com as pessoas? Porque tipo, longe de mim fazer apologia do passado, logo eu, que não vivo sem internet e acho as revoluções tecnológicas uma maravilha. Mas naquele momento, a sala de cinema refletiu o filme: está cada vez mais difícil conviver com os outros.
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Eu poderia listar mais algumas das coisas sobre as quais eu matutei e ainda estou matutando devido a Gran Torino, porque esse é um daqueles raros filmes que ficam na sua cabeça e vão crescendo dentro de você com o tempo. Um aspecto bem importante, ao qual eu só dei atenção porque tinha lido uma resenha do NYT, é o fato de o filme se passar em Detroit, sede da mais famosa fábrica da Ford. O carro que dá nome à produção acaba sendo um símbolo de um momento de auge da indústria automobilística e da economia americana, um auge que, hoje, é coisa do passado. E acaba sendo um símbolo perfeito, porque em um bairro totalmente decadente e pobre, em tempos de crise econômica, aquele carro parece tão deslocado quanto o próprio personagem do Clint.
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Acho que, no fim, Gran Torino me faz pensar que tudo está em crise: a economia, a religião, a cultura, a educação, a justiça e principalmente as relações entre as pessoas. Mas, de algum jeito, eu tirei uma mensagem extremamente otimista dessa história. Talvez por ver que, aos 78 anos, é possível ser inteligente, relevante e provocar tantas questões em alguém.
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